sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quando todos me escutaram...

Nunca antes senti-me tão estranho para falar na minha vida!
Foi surpreendente como todos me olhavam com atenção, como o silêncio invadiu o local de maneira rápida e sútil. Era, ao menos, o que me parecia.
Estava sentado na minha cadeira, ao lado das minhas amigas, quando chamaram-me. Eu já havia perdido a noção do tempo. Já não me lembrava mais de que a minha hora chegaria. Quando meu nome foi proferido, o momento pegou-me de surpressa e todo o nervosismo que antes estava fora de mim, tomou-me como se eu fosse propriedade dele.
Levantei-me a todo custo. Andar foi díficil, sendo que eu já estava nervoso pelo momento e ainda tinham todas as quinhentas pessoas que me olhavam, inclusive a minha família. Fui até a bancada, acho que é este o nome, e recebi de uma das minhas professoras mais queridas o microfone para falar.
A situação fez-me esquecer os cuprimentos adequandos que a ocasião pedia e eu atropolei-os de forma sutil, pulando diretamente para os agradecimentos que estavam escritos juntamente com o meu discurso. Nesse momento aconteceu uma coisa que eu não esperava, minha voz saiu de maneira calma e suave. As palavras foram proferidas por mim de forma ritmada e lenta. Foi como se tudo fosse normal, fisesse parte da minha rotina.
Os cinco minutos que eu havia planejado e estudado haviam passado bem mais rápido do que imaginara. Quando vi, as últimas linhas do discurso já haviam chegado. Li os agradecimentos finais, recebendo, em seguida, uma salma de palmas de todos os convidados e formandos presentes. Acho que devo ter ficado vermelho, estava com tanta vergonha que queria enterar-me naquele momento.
Novamente andei de forma estranha, ainda na pressão de todos estarem olhando-me e sendo ainda pior porque estava vendo todos olharem-me. Respirei fundo e sentei-me novamente, recendo da minha amiga um elogio que ela conseguiu resumir em uma única palavra: "Acaba".
Ela fez-me sorrir e deu-me alivio, vi neste momento que fui aprovado.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Quando ser adulto cansou-me...

“A infância não vai do nascimento até certa idade, e a certa altura a criança está crescida, deixando de lado as coisas de criança. A infância é o reino onde ninguém morre.”
Edna St. Vincent Millay

Por mais que o nosso desejo de crescer e deixar que a maturidade deixe-nos responsáveis e “adultos”, nossas crianças interiores sempre guardam para a eternidade uma característica que sempre nos é criticada: a teimosia.
Nossas crianças são assim e não querem ficar quietas e deixar-nos viver uma vida que já não tem mais uma graça mágica que sempre era-nos presente. Deixamos de viver aqueles pequenos prazeres inocentes que já foram-nos tão comuns.
Nós não nos preocupavamos com o futuro, a vida não rodava em torno dele, como é hoje. Todos nós vivíamos realmente no presente e cada dia era especial só por ser um novo dia, uma nova história para ser contada para os pais quando a noite caísse.
Nós “crescidos”, deixamos o futuro levar-nos, e não estamos totalmente errados por isso, a preocupação com a nossas vidas é importante, necessária até para as nossas crianças. Mas viver baseado somente nisso é que as incomoda.
Elas querem atenção, querem ser libertadas para brincar, ver o mundo colorido outra vez, sem tudo aquilo que elas, e nós também, achamos chato, cansativo, sem graça alguma. Mas elas também sabem que precisão descansar, deixar que nós, “os chatos”, tomemos conta das coisas por algum tempo, mesmo que ele seja grande demais para sua pouca paciência.
E nisso elas são bem mais inteligentes que nós. Elas sabem que precisamos crescer, somente não querem ser esquecidas. Não é necessário esquecê-las para crescer e nem sempre deixá-la livre e deixar de crescer. É sempre possível encontrar um meio termo.
Claro que a tarefa é dura e difícil. Nunca na história da humanidade foi fácil encontrar soluções simples para problemas tão complexos. Mas quem um dia na vida disse que era fácil viver?

Quando me senti sozinho...


       É horrível quando você se sente sozinho sem nem ao menos estar. É uma situação pior e mais cruel do que a própria solidão em si, consumada.
       Parece que tudo aquilo que lhe prendia ao mundo não faz mais sentido. Não tem mais por que fazer qualquer coisa, tornar mais algum sonho realidade.
       O sentido da vida perde-se. O prazer morre sem dizer ao menos dizer adeus. A vontade existente é de fechar os olhos e eu mesmo dizer ADEUS!

Quando a “provação” me bloqueou...

Sempre gostei de ser colocado à prova. Sempre gostei de poder saber até que ponto eu era capaz de ir.
Mas, todas as provas que eu mesmo me impus durante toda a minha vida não representavam grandes avanços ou mesmo chegavam a ser importantes. Todas eram somente fruto dos meus meros caprichos.
Agora a relação entre mim e minhas provas mudou radicalmente. Chego até a dizer da água para o vinho. Sei que estou cometendo um romantismo exageradamente exagerado, mas é assim que tudo se apresenta ao meu redor.
Constantemente venho me sentido sufocado pela intensa cobrança que me rodeia. Esse é um grande problema de ser bom em algo, ao meu ver, sempre esperam que você seja o melhor, que você de certo.
A pior dessas cobranças é aquela silenciosa, baseada somente nos olhares. Essa eu realmente não suporto, me deixa com os nervos a flor da pele. Que é como estou agora, nesse momento em que escrevo.
Pressão tem sido uma palavra que tem se encaixado perfeitamente em mim.
O pior de tudo é que eu me sinto vivendo constantemente em uma bolha que se torna mais e mais pequena a cada segundo que se passa. Tudo tem tornado-se cada vez mais difícil, mais complicado. Paciência é algo que eu já não tenho a um certo tempo.
As coisas que eu mais amo fazer não consigo mais. Ler meus clássicos e escrever sobre tudo aquilo que sou, tirar a essência de minha alma tem se tornado quase sangrento. Me sinto bloqueado de mim mesmo!

Quando queria ter de volta meus olhos azuis...


Já nem me lembro mais quantas vezes pedi a Deus para que tivesse de volta os meus olhos azuis. Sei que muitos devem estar achando que eu quero de volta minhas lentes de contato que perdi. Mas não é isso!
Quando era uma criança bebê parecia realmente um anjo barroco. Era branquinho, tinha os cabelos louros encaracolados e os olhos de um azul tão limpo e puro que eram da mesma cor de um céu de primavera em seu dia mais lindo. Irradiava pureza desses olhos, olhos que não estavam banhados das decepções que a vida faz questão de nos infligir tão cedo.
Queria de volta o tempo em que as coisas eram realmente fáceis. Onde a felicidade se mostrava em qualquer lugar, em qualquer momento. Onde nem um dia de chuva, normalmente tão tristes, era capaz de estragar meu paraíso.
Queria de volta os meus olhos azuis não hoje, mas naqueles tempos. Lembro que, para mim, o mundo se resumia a minha pequena família, aos muros de minha casa, ao sofá em que sentávamos juntos para ver televisão.
Não pensem que estou me queixando de tudo aquilo que tenho hoje. Somente eu sei o quanto a vida que me rodeia faria falta se deixasse de existir. Mas é que nada era complicado quando meus cachos dourados cobriam os olhos azuis.